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Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2008

Reflexão sobre as metas para a educação brasileira...

METAS PARA A EDUCAÇÃO

Por: Jorge Schemes

Recentemente especialistas definiram cinco metas que devem ser cumpridas para tentar colocar o Brasil no mesmo nível de países desenvolvidos. Até 2022, o Brasil não deverá ter mais qualquer criança entre quatro e 17 anos fora da escola, e todos precisarão estar plenamente alfabetizados até os oito anos. Além disso, o estudante deverá apresentar aprendizado adequado à sua série e concluir o Ensino Médio até os 19 anos. E os investimentos em Educação serão ampliados e bem geridos. Apesar de serem metas totalmente viáveis, são dependentes de uma enorme vontade política e social, e podem ser frustradas se de fato não houver comprometimento com a educação.Essa busca pela excelência na educação estará fadada ao fracasso se não seguir sete medidas testadas e aprovadas pelos países desenvolvidos. Essas sete medidas são a conclusão e o resultado de um estudo realizado pelo MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts - USA). São elas:

1º) Recrutar os professores mais talentosos e capazes para ensinar - Para tanto, o Governo, em todos os níveis, deve investir pesado em capacitação e desenvolvimento humano, bem como aderir à política pública da elevação do piso nacional para os professores.

2º) Para cada estudante de pedagogia um tutor, ou seja, um professor experiente para orientá-lo e avaliá-lo na prática pedagógica - Infelizmente essa não é uma realidade nacional, principalmente nos cursos de formação docente à distância. Há uma verdadeira banalização do ensino à distância. Penso que o Ministério da Educação deveria se preocupar em regular os mesmos para oferecerem cursos de bacharelado, mas não de licenciaturas, pois a diversidade metodológica, didática e pedagógica, bem como a prática de ensino e o acompanhamento docente no estágio ficam no mínimo comprometidas.

3º) Aumento significativo do salário inicial dos professores para tornar a profissão tão atraente como em outras áreas mais bem remuneradas – A questão salarial e a profissionalização docente estão intimamente relacionadas com a qualidade no ensino. Como atrair para a educação os melhores educadores se o salário é indigno?

4º) Investir na capacitação dos diretores oferecendo cursos na área de gestão – De acordo com dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais, do MEC), 59,8% dos diretores de colégios públicos foram escolhidos por indicação da Prefeitura ou do Estado em 2004. A prática se mostra recorrente, na medida em que, em alguns Estados, esse percentual chega a ser superior a 90%, como o Amapá (94,7%), o Rio Grande do Norte (92,3%) e Sergipe (92%).Por outro lado, o percentual de diretores eleitos no país é de 19,5%, enquanto a taxa de concursados é menor: 9,2%. Diante dos dados e dos fatos, a pesquisa concluiu que a escolha por indicação é a pior forma por colocar na escola uma pessoa que não tem vinculação com o sistema educacional, mesmo em alguns casos em que possa existir algum critério nessa indicação. Todavia, na maior parte das vezes, a escolha é político-partidária. Além de ser a forma mais criticada por especialistas, a indicação política é, segundo o SAEB (exame do MEC que avalia a qualidade da educação), a que tem mais impacto negativo no desempenho dos estudantes.

5º) Auditoria nas escolas, nas salas de aula e no ambiente físico e pedagógico – Ou seja, técnicos são designados para visitar a escola, assistir aulas, entrevistar alunos e professores, relatar as deficiências e apontar as mudanças necessárias, e se for o caso, até mesmo indicar a exoneração do mal gestor escolar.

6º) Adoção de um currículo único, consistente, com objetivos definidos e um instrumento para aferir o nível dos alunos - Infelizmente em nosso país ainda predomina um currículo guiado pelas próprias crenças e pela razão dos(as) professores(as).

7º) Aulas particulares de graça - Ou seja, um(a) professor(a) é designado(a) e remunerado(a) para atender os(as) alunos(as) com dificuldades de aprendizagem, à parte das aulas. Essa medida é urgentíssima no caso do Brasil. Os altos índices de repetência comprovam isso, somado ao analfabetismo funcional, ou seja, a incapacidade de entender o que se lê e escreve. A mais triste realidade para um escola é ter alunos analfabetos em todas as séries da Educação Básica. Por essa razão faz-se necessário reestruturar o cotidiano escolar e gerenciar o principal papel social da escola, o de alfabetizar e ensinar com eficácia e qualidade.

Jorge Schemes:
Professor na FGG – Faculdade Guilherme Guimbala – ACE.
Técnico Pedagógico na GERED – Gerência de Educação.
Professor na Rede Pública Municipal de Joinville, SC.

Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007

PEDAGOGIA QUÂNTICA

PEDAGOGIA QUÂNTICA

Por: Jorge Schemes

A física quântica surgiu no século XX como uma ciência que estuda o movimento dos átomos e das partículas subatômicas. Ela revolucionou o entendimento da realidade e superou, em certo sentido, as explicações da física de Newton. Segundo a física clássica, o mundo é visto com certezas avaliativas de objetos, fornecendo fórmulas e instrumentos para calcular peso, distância, força, impacto, velocidade, etc. Porém, as mesmas leis e fórmulas não se aplicam na física quântica. No lugar do determinismo da física clássica, a física quântica apresenta o princípio da incerteza, ou seja, que no microcosmo do mundo quântico as partículas subatômicas se comportam de maneira imprevisível. As partículas microscópicas do átomo são vistas como ondas de possibilidades, pois podem estar ali, aqui e acolá. Por exemplo, o elétron, que é uma partícula subatômica, comporta-se como uma partícula, mas também se comporta como onda, pois não pára quieto e pode estar em vários lugares ao mesmo tempo. Os elétrons são ondas que se propagam pelo espaço, mas também são partículas, ou seja, objetos microscópicos. Essa dupla característica é denominada pelos físicos modernos de "dualidade onda-partícula". E um aspecto não funciona sem o outro, pois é um conjunto aparentemente contraditório. Todavia, ficou comprovado em laboratório, por meio de experimentos científicos, que ao serem observados com instrumentos tecnológicos, os elétrons sofrem uma interferência no seu movimento ou rumo. Quando um elétron é observado ele pára em um só ponto. Ou seja, o cientista é capaz de interferir no rumo do elétron e alterar a realidade do mundo microscópico da física quântica, embora não tenha controle sobre o lugar em que a partícula vai parar.
Há outro fator que é impressionante na realidade quântica. Ficou comprovado pela ciência moderna que um elétron pode influenciar outro elétron quando sofre alguma interferência por meio da observação. E o mais fantástico é que isso pode ocorrer à distância. Os cientistas, por meio de tecnologias em laboratórios são capazes de estimular a "comunicação" e a interação dos átomos entre si. É possível fazer com que os átomos se comportem de forma interligada, por exemplo, ao mexer em um átomo o outro também se mexe. O mais surpreendente disso é o fato de que para ocorrer esse processo de interdependência a distância é irrelevante, ou seja, a interdependência independe da distância entre as partículas. É como se o espaço não existisse, pois se o cientista mexer com um átomo no Brasil pode fazer com que outro se movimente na China, ou mais distante ainda, em Saturno. Na década de trinta, Albert Einstein batizou esse fenômeno de "ação fantasmagórica a distância". Atualmente esse princípio quântico é conhecido como "entrelaçamento de partículas".
Ao pensar na educação dentro destes conceitos quânticos, podemos fazer um paralelo e ao mesmo tempo uma aplicação destes princípios. Se, por meio da observação instrumental, o ser humano é capaz de influenciar a realidade do microcosmo das partículas subatômicas, também seria possível alterar nossa realidade por meio do pensamento positivo. Considerando que nosso corpo é composto de átomos, bem como toda realidade que nos cerca, e que o pensamento também é uma onda de energia. Diante desta premissa faz-se necessário que os educadores tenham uma atitude positiva e aprendam a desenvolver o pensamento positivo sobre si mesmos e o seu ofício. Se acreditamos que nossa mente é capaz de alterar nossa realidade, se acreditamos que a nossa realidade é o resultado de nossos pensamentos, sentimentos, palavras e ações, então não podemos continuar pensando coisas mesquinhas sobre o que somos e fazemos. Precisamos eliminar os sentimentos negativos que são alimentados por meio de nossos pensamentos e palavras, ou seja, coisas como baixa auto-estima, derrota, desânimo, ódio, inveja ou qualquer outro sentimento negativo precisam dar lugar a pensamentos e palavras de otimismo. Se desejamos receber coisas boas de nossos alunos em sala de aula, devemos pensar e falar destas coisas com eles. Assim como o elétron é influenciado em seu rumo quando observado e sofre uma parada, também podemos mudar o rumo de nossa atividade docente quando mudamos a nossa disposição mental e passamos a pensar predominantemente de maneira positiva. Penso que muitos problemas em sala de aula são causados pelos próprios professores devido a sua disposição mental negativa em relação a si mesmos, ao que fazem e a seus alunos. É comum, na hora do intervalo das atividades docentes, professores reclamarem de seus alunos e falarem mal de sua profissão. O pensamento, as palavras e o sentimento que predomina são de desânimo, tristeza, rancor e revolta. Eles já saem da sala dos professores com "pedras nas mãos" para se defender da indisciplina e das atitudes de violência de seus alunos. E o que acontece? Justamente o que não desejam, ou o que temem. Os alunos acabam refletindo o que seus professores pensam, sentem e falam a seu respeito. Esse princípio é chamado por alguns teóricos da física quântica de "lei da atração". Ou seja, atraímos para a nossa vida aquilo que dedicamos atenção, energia e concentração. Certamente você já ouviu dizer que amor gera amor, ódio gera ódio, medo gera medo, confiança gera confiança, respeito gera respeito, etc. Desta maneira, se desejamos despertar o melhor em nossos alunos devemos pensar, falar, sentir e desejar o melhor deles. Devemos acreditar que eles têm o melhor para nos oferecer e esperar com confiança que irão corresponder aos nossos pensamentos, palavras e sentimentos.
O princípio quântico de entrelaçamento de partículas revela que há uma sincronicidade no universo, ou seja, não há coincidências, pois tudo está interligado. Sendo assim, não estamos separados do todo, mas somos parte do universo. Diante disto, o dualismo psicofísico de R. Descartes cai por terra, ou seja, sua tese de que somos apenas substância extensa (corpo) e substância pensante (mente) já não é mais suficiente para entender a nossa realidade. Porém, o que norteia a concepção de realidade do mundo capitalista e neoliberal é justamente a concepção cartesiana, de que o ser humano é como uma máquina programada e fragmentada, separado do todo. A idéia cartesiana do sujeito como ser pensante promove o individualismo egoísta. A propósito, esta concepção cientificista de ser humano influenciou fortemente os modelos pedagógicos por meio da psicologia experimental de B. Skinner com sua tese do behaviorismo. Todavia, pela física quântica percebemos a realidade de modo totalmente inverso, ou seja, não somos seres fragmentados, mas estamos todos interligados pelo mesmo princípio que rege o entrelaçamento de partículas. O que quer que o ser humano faça, não está fazendo apenas a si mesmo. Não tecemos a rede da vida, somos apenas um nó desta rede. Se de fato, estamos todos interligados no universo, precisamos rever as nossas concepções de educação, de ser humano e de sociedade. Na perspectiva do princípio quântico do entrelaçamento de partículas, como educadores não podemos pensar no conhecimento de forma fragmentada ou separado do todo. A especialização é necessária, mas nada mais é do que saber cada vez mais acerca de cada vez menos. Há urgência em desenvolver uma concepção integral da realidade e do ser humano. O conhecimento não pode ser visto como algo linear, mas sistêmico. Em sala de aula devemos pensar, falar, sentir e agir de forma interdisciplinar e transdisciplinar. Devemos perceber o entrelaçamento de nossa prática com as demais práticas. Chegou o momento de parar de fazer educação de forma fragmentada, separada e alienada da realidade de nossos colegas de trabalho e de nossos alunos. Mas como é possível mudar nossa prática? Devemos primeiro mudar os nossos pensamentos, palavras e sentimentos. Platão já nos disse que este não é um processo fácil. Sair da caverna é sentir o desconforto de questionar as nossas certezas. Embora a física quântica nos ajude a entender a realidade sob outro prisma, o que irá determinar de fato a mudança será o pensamento positivo, o qual se manifestará em nossas palavras e sentimentos e criará, por meio da lei da atração, a realidade que desejamos.

Terça-feira, 10 de Julho de 2007

O CONHECIMENTO

PERSPECTIVAS DA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

Por: Jorge Schemes

Nada tem um sentido definitivo e de verdades absolutas. Educar é instigar em cada aluno as suas próprias magias. Todo conhecimento é autobiográfico, cada um constrói seu próprio conhecimento, pois conhecimento não se transmite, mas se produz, partindo da realidade de cada um. Por isso o conhecimento autobiográfico é intransferível. O movimento e a atividade são os eixos norteadores da apreensão do conhecimento. A educação é um espaço de tensão entre forças contraditórias. A democratização da educação e a construção de consciências, mais que a transmissão de informações, deve, consciente ou não, trabalhar valores. A pedagogia é tributária a uma epistemologia (concepção de conhecimento).
O método científico acaba formatando modelos de educação (currículos, estruturas e práticas). Na concepção científica a verdade é uma só e há uma punição do erro, o qual poderia ser uma outra verdade do ponto de vista histórico-cultural. O modelo da modernidade alicerça nossos conhecimentos e as universidades são as grandes guardiãs deste modelo. A ciência moderna produziu muitos benefícios para a humanidade por meio de tecnologias, mas ela tem efeitos colaterais. A pós-modernidade começa apresentar novos paradigmas, mesmo diante da objetividade científica há uma busca por subjetividades não reconhecidas pela ciência moderna. A ruptura paradigmática propõe outros modelos. É necessário romper os limites de loteamento do conhecimento. A perspectiva emancipatória enfatiza o processo, não a regulação própria do tradicionalismo. Numa perspectiva generalizada não existem dogmas dentro de uma única concepção, mas tantos quantos são os olhares (verdades). A teoria é o resultado de múltiplas generalizações, mas a prática é e sempre será única. O modelo tradicional é construído na lógica do saber factual e objetiva silenciar a dúvida e a divergência, enquanto que a perspectiva pós-moderna vê o conhecimento como objeto em construção, privilegia espaço para dúvida e contempla a divergência por meio da dialética. Todavia, se construir ou se for o caso se reconstruir dentro desta concepção, exige uma ruptura interna. O problema é que em muitos professores não há uma matriz de reflexão teórica, mas uma matriz de reprodução. Contudo, os saberes não vêm de uma única fonte, eles são na verdade múltiplos e dentro de um processo contínuo e não pontual. Diante disso, fica o desafio de construir, destruir e reconstruir constantemente a nossa formação visando alcançar autonomia intelectual.

Segunda-feira, 2 de Julho de 2007

MEDIADOR MIDIÁTICO

O PROFESSOR COMO MEDIADOR MIDIÁTICO
Por: Jorge Schemes

Século XXI, século da comunicação, século da informação, da era digital e dos espaços virtuais. É dentro deste contexto que a escola pós-moderna está inserida como uma verdadeira "ilha de resistência" ao novo, ao diferente, às mudanças instantâneas da era da informática e da robótica. Digo "ilha de resistência" porque a escola, na grande maioria dos casos, ainda é um espaço de disritimia entre o que ocorre no mundo regido pelo mercado financeiro e o que ocorre no universo da práxis pedagógica. Não receio em afirmar que a escola, formatada do jeito que está, e estruturada como um espaço de reprodução e cópia cognitiva, é, de fato, uma continuação de um projeto medieval de subordinação do pensamento próprio, da identidade própria e das diferenças. Aliás, o objetivo deste projeto milenar é buscar a unidade (uniformidade) na diversidade, pois é regido por uma concepção ultrapassada de ser humano, a concepção metafísica. Sendo assim, a escola não pode cumprir plenamente com o seu papel social, cultural e educativo, pois suas açõs e operações não visam os sujeitos deste tempo histórico e social. A sala de aula, com sua estrutura física obsoleta, nos remete a posturas atitudinais de fragmentação do conhecimento e pseudas práticas de ensino, nas quais, os sujeitos não conseguem estabelecer uma conexão lógica e uma coerência entre o conteúdo informado e transmitido com as suas realidades. Diante da reflexão sugerida, qual a exigência do contexto histórico, social e econômico para a formação docente? Qual o papel do professor no contexto da era da informação? Certamente que não pode e não deve ser o mesmo de 30, 20, 10, 5 ou um ano atrás. Cada vez mais, o mercado financeiro como um organismo vivo, e não propriamente as políticas públicas voltadas para a educação, é que está ditando as regras e a necessidade de inovação. A escola ainda é um organismo morto dentro de um organismo vivo, dinâmico e repleto de transformações e mudanças. Neste sentido a escola ainda é uma ilha de resitência, mas não por muito tempo. A inovação na estrutura da escola será inevitável diante dos avanços das tecnologias. O contexto emergente sugere a necessidade de inovar métodos, práticas, didáticas, currículos, formação docente e infra-estrutura. O professor inteligente saberá por meio da intuição e de uma atitude pró-ativa o caminho que deverá seguir daqui pra frente. Este caminho é primeiramente um caminho de descontrução e reconstrução permanente no aspecto cognitivo. Mas também é uma caminho de busca e de esforço intelectivo. Pois diante das novas tecnologias e da avalanche de informações dispostas e disponíveis nos substratos digitalizados, o professor atuará mais como uma mediador midiático do que como interlocutor. O mediador midiático será capaz de "ler" e "interpretar" as diferentres fontes de informações, bem como de promover os parâmetros necessários para filtrar os conteúdos entre aquilo que é relevante e aquilo que é banal. O professor midiático deverá ter sólida fundamentação ética e moral, de tal maneira que contemple com a sua postura e com suas atitudes a diversidade presente no ambiente de ensino e aprendizagem, seja ele virtual ou físico. São os valores presentes na prática docente que farão a diferença na apreensão do conhecimento, que cada vez mais desenha-se como sendo autobiográfico. O professor midiático deverá ter o domínio técnico dos novos suportes da informação, esse é o requisito básico para trabalhar com a informação, a qual já possuí um mundo próprio e viaja na velocidade da luz. O desafio maior para o professor midiático será estimular a transformação de informações relevantes em conhecimento cientificamente válido e eticamente aceitável.

Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

SER PROFESSOR...

O trabalho docente é desafiador e exige cada vez mais uma atitude pró-ativa e inovadora. Não é tão simples assim sair da mesmice pedagógica, aquela que acaba transformando a própria pedagogia enquanto prática, em dogma. Penso ser mais fácil se deixar guiar "pelo mesmo" e resistir ao novo, contudo, se desejamos, de fato, uma educação libertadora e crítica precisamos ousar. E ousar é correr riscos, aliás, precisamos estar cientes que toda educação apresenta uma possibilidade de fracasso. Na perspectiva do docente isso não é avaliado como deveria, por exemplo, no conceslho de classe, a culpa é quase sempre do aluno. Contudo, ser professor, penso, é a maior oportunidade que temos para criar e recriar a realidade. Contudo, como educadores, precisamos nos fazer como intelectuais, construir uma auto-imagem positiva a esse respeito e demonstrar essa imagem, ou seja, precisamos ser referência quando o assunto é educação.
Esta semana, em minha prática de sala de aula, aprendi mais sobre a necessidade de compreender a natureza humana em sua totalidade e diversidade. Aprendi com meus erros e também com meus acertos, penso que os tenho de vez em quando. Todavia, aprendi mais ainda com meus alunos do curso de pedagogia e do ensino médio. Quanto a estes, por serem adolescentes, aprendi que é necessário utilizar todos os fundamentos possíveis da inteligência emocional para motivá-los. Meus alunos do ensino médio são humanos, têm o humano no ser, e por essa razão são um enigma, um mistério que de vez em quando se permite vislumbrar. As aulas foram muito produtivas, isso do meu ponto de vista, mas ainda irei conversar com eles para verificar a perspectiva deles em relação a isso. Entretanto, pude perceber um amadurecimento nos debates filosóficos de sala de aula. Eles têm idéias fantásticas e argumentos plenamente válidos para uma reflexão filosófica norteada pela atitude crítica. Isso alimenta os meus sonhos de educador, dentre os quais aquele em que vejo a educação como a grande ferramenta de transformação social, política, ética e moral da sociedade. Nas discusões realizadas em sala de aula, partindo de questionamentos filosóficos sobre o direito a vida, a questão do aborto e a questão da liberdade, os alunos destruíram conceitos prontos e acabados, os reconstruíram e perceberam que o conhecimento não está fechado em dogmas. O pensamento foi estimulado a libertar idéias aprissionadas e mover em espiral conceitos aparentemente óbvios. também percebi a angústia de alguns ao descobrirem que suas verdades não eram tão invioláveis quanto pensavam. Afinal, penso, esse é o objetivo da filosofia, mover pensamentos e pensar o já pensado como um processo de reflexão contínua. Ou seja, o pensamento dando voltas sobre si mesmo e pensando sobre si mesmo. Quanto aos meus alunos da faculdade de pedagogia, também tenho que admitir o envolvimento da maioria no processo de busca, construção e reconstrução do conhecimento. Particularmente, penso, que "formar" futuros educadores é um grande privilégio e um grande desafio. Talvez a palavra formar não seja mais adequada, diante da era do conhecimento e da informação, penso, que, talvez, o mais adequado seja pensar no processo de construção do conhecimento dentro de uma perspectiva de construção individualizada ou autobiográfica. O autogerenciamento de suas competências e a autonomia intelectual são critérios fundamentais para pensar nesta perspectiva. Penso que um dos grandes desafios da educação do século XXI é mudar o paradigma de um educação impositiva para uma educação libertadora, crítica e que promova a autonomia ética, moral e intelectual de nossos alunos.

Sexta-feira, 25 de Maio de 2007

POR UMA EDUCAÇÃO LIBERTADORA

Gonzaguinha – É
É...a gente quer valer o nosso amor; a gente quer valer nosso suor; a gente quer valer o nosso humor; a gente quer do bom e do melhor; a gente quer carinho e atenção; a gente quer calor no coração; a gente quer suar mas de prazer; a gente quer é ter muita saúde; a gente quer viver a liberdade; a gente quer viver felicidade. É...a gente não tem cara de panaca; a gente não tem jeito de babaca; a gente não está com a bunda exposta na janela pra passar a mão nela. É...a gente quer viver pleno direito; a gente quer viver todo respeito; a gente quer viver uma nação; a gente quer é ser um cidadão. É...

A pergunta que deve ser feita primeiramente é: "o que de fato desejamos?" Será que de fato desejamos amor, saúde, liberdade, felicidade, direitos, respeito e cidadania? Há uma manipulação dos nossos desejos por parte da mídia. A lógica capitalista coloca o "ter" em prioridade. Há uma coisificação dos nossos mais íntimos desejos, os quais são transformados em mercadorias de consumo. Por exemplo, no lugar da felicidade é colocado um carro zero, no lugar do amor e da afetividade o consumo desenfreado. "Ter" e não "ser", esse é o princípio do capitalismo. Por essa razão, faz-se necessário primeiramente uma reflexão sobre o que desejamos de fato. Partindo disso, será possível identificar necessidades reais e estabelecer metas e ações para realizá-los. Também é pertinente refletir no significado do sonho e da realidade, afinal, o que é o sonho? O que é a realidade? Penso que o sonho acordado é necessário, pois sonhar é desejar, é ter esperança de uma realidade utópica. A utopia não é de todo negativa, pois nos dá esperança, assim, há um círculo vicioso entre sonhar e cair na real, ou seja, o sonho alimenta a esperança, e esta produz a energia que nos move em direção a outra realidade possível. Portanto, as nossas ações devem estar ancoradas em sonhos constantes, pois parar de sonhar significa dogmatizar as ações. O dogma não promove a mudança, pois é sempre do mesmo jeito, assim, pessoas que não sonham não podem mudar a sua realidade, pois vivem numa mesmice dogmática, fazem sempre do mesmo jeito e pensam sempre da mesma maneira. Para quebrar com este paradigma o único instrumento que pode ser usado é a educação, mas ela mesma pode ser um dogma, por isso faz-se necessário um novo paradigma na educação. Este novo paradigma deve ser norteado pela liberdade e pela crítica, pois uma educação libertária não reproduz a ideologia dominte e não subordina o pensamento das pessoas, mas ensina a pensar e acreditar nos sonhos como ponto de partida das transformações. Também ensina a agir, pois um sonho sem ação é apenas um sonho. Ficar sonhando e não agir é viver numa eterna utopia, num eterno devir. Temos o poder para alterar a realidade, ao mudar primeiramente a maneira de pensar sobre a realidade. Na física quântica, na microfísica, no mundo das moléculas e dos quantas, isso é uma possibilidade real, pois a realidade vai muito além da concepção dualista e psicofísica de Descartes, ou mesmo dos princípios newtonianos da física clássica. A realidade na perspectiva quântica está sujeita a incertezas e improbabilidades, pois é relativa. Isso nos permite pensar na realidade como um conjunto de fatores não isolados, mas interligados. A realidade fragmentada é percebida como tal por causa do paradigma moderno da ciência, das especilizações, que nada mais são do que conhecimentos específicos sobre o todo, sendo que, podemos definí-la da seguinte maneira: "especialização é saber cada vez mais a respeito de cada vez menos", a regra é: quanto mais especificidade, mais ignorância do todo. Portanto, deixar de ver ou ter a percepção do todo, ou ainda deixar de querer vê-lo é um perigo. Pois os princípios de todo fundamentalismo estão enraizados nesta visão fragmentada da realidade. Deste modo, só é possível alterar a realidade, quando desejamos de fato alterá-la, primeiramente pelo pensamento, depois pelas palavras, as quais devem conduzir a ações concretas. Há um ditado budista que diz que a nossa realidade e tudo o que acontecerá conosco inicia-se em nosso pensamento. O ditado diz o seguinte: "cuide dos teus pensamentos, pois eles se transformam em palavras, ou seja, eles se materializam, pois tanto os pensamentos quanto as palavras são ondas de energia, (dentro do princípio da mecânica quântica isso é fato); cuide das tuas palavras, pois elas se transformam em ações; cuide das tuas ações, pois elas se transformam em hábitos, cuide dos teus hábitos, pois eles constituirão o teu caráter, e o teu caráter definirá o teu destino". Portanto, penso que para alterar a nossa realidade devemos primeiro e de fato desejar, querer, pensar e falar sobre isso. Esse seria um primeiro passo, que, penso, apenas uma educação libertadora e crítica é capaz de promover.

Segunda-feira, 7 de Maio de 2007

CRÍTICA COM RESPONSABILIDADE

Devemos usar o nosso direito ao voto como ferramenta para promover bons representantes políticos. Todavia, a máxima: "o poder corrompe", infelizmente tem se concretizado no meio político de uma maneira quase que geral. Como disse, não é regra, mas quase. Penso que nestes casos, os de corrupção, a sociedasde civil deveria mobilizar-se para exigir o cumprimeto da legislação, ou, se for o caso, a mudança na mesma. Em Brasília há um pensamento no meio político em relação as leis, dizem os de lá que há aquelas leis que pegam e aquelas que não pegam. Isso é uma banalização da justiça. Aliás, há uma banalização também na educação. Apesar de não ser regra, entretanto, as exceções são o paradígma. Por essa razão o ambiente escolar ultrapassado torna-se um aspecto difícil para o profissional da educação que quer inovar e fazer diferente do comum. Ele encontra muitas resistências. É remar contra a maré. Todavia, aqueles que têm persistido, têm percebido o retorno em termos de qualidade. Quanto a formação de sujeitos críticos, isso não significa a crítica pela crítica. O pensamento crítico verdadeiro tem fundamentação epistemológica e ética, por essa razão reporta a necessidade de responsabilidade. Talvez muitos educadores não entendam de fato o que significa uma educação libertadora e crítica. Não é a crítica pela crítica, mas uma formação mais ampla de leitura de mundo e de construção moral, acompanhada sempre de responsabilidade moral, ou, ética. Talvez esteja ocorrendo uma má interpretação do que significa ser um cidadão crítico. Por conta, talvez, de "professores urubus", que "enchergam só a carniça". Assim, vai se formando uma geração de "pseudos cidadãos", indivíduos que só sabem reclamar e não fazem a sua parte para que as mudanças se concretizem. É aquela velha história do furo na meia da noiva, tudo estava perfeito no casamento, mas tem gente que só comenta sobre o furo na meia. Formar cidadãos verdadeiramente críticos signifca educá-los para a responsabilidade por meio da autonomia ética e moral.
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